Câncer de pâncreas e fibrose cística compartilham o mesmo mês de conscientização e também a dificuldade de serem identificados a tempo.
Dois diagnósticos invisíveis que merecem mais atenção.
O câncer de pâncreas e a fibrose cística raramente aparecem nas conversas cotidianas sobre saúde. Em parte, porque ambos carregam uma característica que dificulta a conscientização: são condições sem rosto amplamente reconhecível. Setembro roxo existe para mudar isso.
O câncer de pâncreas apresenta uma das menores taxas de sobrevida em cinco anos entre os cânceres mais comuns. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 16 mil novos casos por ano. O diagnóstico tardio é a principal razão para esse prognóstico: o pâncreas está localizado profundamente no abdômen, sem causar sintomas evidentes nas fases iniciais. Dor abdominal persistente, perda de peso sem explicação, icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos) e alterações digestivas são sinais que merecem investigação, especialmente em pessoas com histórico familiar ou fatores de risco como tabagismo e pancreatite crônica. O diabetes de início abrupto em adultos sem histórico prévio também pode ser um sinal de alerta associado à doença pancreática.
A fibrose cística, por outro lado, é uma doença genética hereditária, a mais comum de origem genética em populações de ascendência europeia. Ela afeta principalmente os pulmões e o sistema digestivo, produzindo secreções espessas que dificultam a respiração e a absorção de nutrientes. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que nascem cerca de 400 crianças com fibrose cística por ano. O diagnóstico precoce, possível pelo teste do pezinho ampliado, é determinante para a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes. Com tratamento adequado e acompanhamento multidisciplinar, a expectativa de vida de pessoas com fibrose cística tem avançado de forma consistente nas últimas décadas.
Ambas as condições exigem acompanhamento especializado e multidisciplinar. Para o câncer de pâncreas, oncologistas, gastroenterologistas e cirurgiões atuam de forma integrada. Para a fibrose cística, a rede inclui pneumologistas, nutricionistas, fisioterapeutas e geneticistas. O SUS oferece tratamento para as duas condições, e a Associação Brasileira de Fibrose Cística (ABCF) é referência de suporte e informação para pacientes e familiares.
Setembro roxo lembra que condições menos visíveis também merecem atenção, pesquisa e recursos. Conhecer os sintomas, buscar avaliação médica diante de sinais persistentes e apoiar iniciativas de pesquisa são formas concretas de fazer diferença.
© 2026 Le Monde Secretariado · lemondesecretariado.com.br · Publicado por Rafael Luchetti.







