Uma decisão tomada em vida pode salvar até oito pessoas.
Existe uma estatística que poucas pessoas conhecem: um único doador pode salvar até oito vidas por meio da doação de órgãos sólidos e transformar mais de cinquenta com a doação de tecidos, como córneas e pele. O número impressiona e também revela a extensão de uma decisão que, muitas vezes, é adiada porque o assunto parece distante.
O Setembro Verde existe para trazer esse tema para perto. A campanha, promovida pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde, incentiva a conscientização sobre doação de órgãos e tecidos e, principalmente, estimula que as pessoas comuniquem sua vontade à família. No Brasil, a doação depende da autorização dos familiares, independentemente do que estiver registrado em documentos. Por isso, a conversa em vida é o passo mais importante que alguém pode dar.
O país tem um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo. Em 2023, o SNT registrou mais de 24 mil transplantes realizados, um recorde histórico, segundo o Ministério da Saúde. Ainda assim, a fila de espera permanece longa: dezenas de milhares de pessoas aguardam por um rim, fígado, coração ou córneas que podem mudar completamente a trajetória da sua saúde. O rim é o órgão com maior demanda na lista de espera nacional, seguido pelo fígado, o que reflete a incidência crescente de doenças renais crônicas e hepáticas no país.
A doação de órgãos só é possível em casos de morte encefálica, diagnosticada por protocolo médico rigoroso e confirmada por dois médicos distintos. O processo é conduzido pelo sistema público e segue critérios técnicos definidos pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e pelo Ministério da Saúde. Não há custo para a família do doador nem para o receptor: o transplante é integralmente coberto pelo SUS.
Para quem quer se informar com profundidade, o site do Ministério da Saúde e o portal da ABTO (abto.org.br) oferecem materiais atualizados sobre o funcionamento do sistema, os critérios de elegibilidade e o processo de autorização familiar.
Conversar com a família sobre doação de órgãos pode parecer desconfortável, mas é uma das conversas mais importantes que uma pessoa pode ter em vida. Setembro verde é um bom motivo para começar.
© 2026 Le Monde Secretariado · lemondesecretariado.com.br · Publicado por Rafael Luchetti.








