Setembro Azul: Campanha pela visibilidade e valorização da comunidade surda.

Além da conscientização sobre perda auditiva, a campanha também fala sobre reconhecer a Libras como língua, cultura e identidade e o quanto a comunidade surda tem a nos ensinar sobre comunicação e inclusão.

Existe uma distinção importante, que nem sempre é ensinada: a diferença entre a surdez como condição clínica e a surdez como identidade cultural. O setembro azul surgiu justamente para ampliar essa conversa, porque falar sobre a comunidade surda é falar sobre língua, cultura, educação e direitos, e não apenas sobre audiologia.

No Brasil, estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas têm algum grau de perda auditiva, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mundo, a Organização Mundial da Saúde projeta que mais de 1,5 bilhão de pessoas convivem com alguma perda auditiva, número que tende a crescer com o envelhecimento populacional e a exposição prolongada a ruídos intensos. A OMS estima ainda que, sem medidas preventivas e de atenção auditiva ampliadas, esse número pode ultrapassar 2,5 bilhões até 2050.

A Língua Brasileira de Sinais, a Libras, foi reconhecida como língua oficial no Brasil pela Lei 10.436, de 2002. Apesar disso, sua presença ainda é limitada em ambientes de saúde, educação e serviços públicos. Para a comunidade surda, essa ausência representa uma barreira concreta de acesso, não apenas à informação, mas ao cuidado.

No contexto da saúde, a comunicação é um componente clínico. Uma consulta conduzida sem intérprete de Libras, quando o paciente depende dessa língua, pode comprometer o diagnóstico, a adesão ao tratamento e a qualidade do cuidado prestado. O Decreto 5.626/2005 regulamenta a Lei de Libras e estabelece obrigações para que serviços de saúde garantam acessibilidade comunicacional às pessoas surdas.

O setembro azul foi criado em 2019 pela Federação Mundial dos Surdos (WFD) e pelo Conselho Britânico de Surdos (BDA), com adesão de entidades em vários países. No Brasil, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), vinculado ao Ministério da Educação, é a principal referência em educação bilíngue para surdos e disponibiliza materiais sobre a língua e a cultura surda.

Aprender os fundamentos da Libras, buscar intérpretes qualificados para atendimentos e reconhecer a identidade cultural da comunidade surda são atitudes que vão além da inclusão formal: são formas de respeito. Setembro azul é uma boa oportunidade para dar esse primeiro passo.

© 2026 Le Monde Secretariado · lemondesecretariado.com.br · Publicado por Rafael Luchetti.

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