O tumor que mais mata no Brasil é também um dos que mais se beneficia da atenção precoce.
Por que o diagnóstico ainda chega tarde e o que pode mudar isso?
Dos cânceres com maior mortalidade no mundo, o de pulmão é, talvez, o mais silencioso nos estágios em que o tratamento seria mais eficaz. Sintomas como tosse persistente, falta de ar e dor torácica são facilmente atribuídos a outras causas, como gripe, refluxo ou estresse, e quando a investigação finalmente começa, o tumor já percorreu um caminho longo dentro do organismo.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o segundo tipo mais frequente entre homens e o terceiro entre mulheres no Brasil, e o que mais mata nos dois grupos. A sobrevida em cinco anos gira em torno de 20% nos casos diagnosticados precocemente, número que cai drasticamente quando a doença é identificada em estágio avançado, o que ocorre na maioria absoluta dos casos. Esse intervalo entre sintoma e diagnóstico continua sendo um dos maiores obstáculos ao tratamento.
O tabagismo é responsável por cerca de 85% dos casos, conforme dados do próprio INCA. Mas a doença também acomete não fumantes, o que reforça a necessidade de atenção a outros fatores: exposição ao amianto, ao radônio, à poluição atmosférica intensa e ao fumo passivo acumulado ao longo de anos. Pessoas com histórico familiar de câncer de pulmão ou exposição ocupacional prolongada a agentes carcinogênicos merecem acompanhamento médico regular. Nos últimos anos, os avanços em terapias-alvo e imunoterapia ampliaram as opções de tratamento para determinados subtipos do tumor, tornando o diagnóstico molecular cada vez mais relevante para a condução clínica.
O rastreamento por tomografia computadorizada de baixa dose é indicado para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico de tabagismo intenso. É uma ferramenta disponível tanto na rede pública quanto privada, mas ainda subutilizada. Conversar com um pneumologista sobre indicações e riscos individuais é sempre o caminho mais assertivo antes de qualquer exame.
Parar de fumar, mesmo após décadas de hábito, reduz progressivamente o risco da doença. O Programa Nacional de Controle do Tabagismo, coordenado pelo Ministério da Saúde, oferece suporte gratuito em unidades de saúde de todo o país, com acompanhamento clínico e apoio farmacológico quando necessário. Informar-se sobre esse suporte e divulgá-lo pode fazer diferença real para alguém próximo.
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