Agosto Verde-Claro: Prevenção e controle da Leishmaniose Visceral.

O calazar avança nas cidades e desafia a vigilância em saúde, entenda o que você precisa saber.

Há doenças que permanecem à margem do debate público não por serem raras, mas por afetarem predominantemente populações que vivem nas periferias dos grandes centros e em regiões com saneamento precário e acesso limitado à saúde. A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma delas, e sua invisibilidade social é parte do problema.

Causada pelo protozoário Leishmania infantum e transmitida pela picada do flebotomíneo, inseto pequeno popularmente chamado de mosquito-palha ou birigui, a leishmaniose visceral é classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma das doenças tropicais mais negligenciadas do mundo. O Brasil concentra mais de 90% dos casos registrados nas Américas, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com mais de 3.000 casos confirmados por ano e taxa de letalidade que pode superar 7% quando o diagnóstico e o tratamento chegam tarde.

A doença, que por décadas foi predominantemente rural, avançou para centros urbanos. Capitais como Teresina, Campo Grande e Belo Horizonte figuram entre as áreas de maior transmissão, o que torna o rastreamento ainda mais urgente e complexo. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram a maior incidência, mas a vigilância epidemiológica é nacional.

Os sintomas, que incluem febre prolongada, fraqueza intensa, perda de peso e aumento do baço e do fígado, são inespecíficos e frequentemente confundidos com outras infecções. Essa inespecificidade atrasa o diagnóstico e, por consequência, o início do tratamento, que existe e é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. O diagnóstico é realizado por exame de sangue ou biópsia, e a notificação é compulsória. O Ministério da Saúde incorporou a miltefosina, tratamento oral, ao arsenal terapêutico disponível na rede pública, ampliando as opções para casos selecionados.

A prevenção combina medidas individuais, como uso de repelentes, telas em portas e janelas e evitar exposição no entardecer, com ações coletivas de controle vetorial realizadas pelas secretarias municipais de saúde. Em regiões endêmicas, o monitoramento canino integra a estratégia de vigilância, já que cães são reservatórios naturais do parasita.

Compreender a leishmaniose visceral como questão de saúde pública, e não como problema distante, é o que torna a prevenção mais eficaz. Buscar informação nas unidades de saúde locais ou nos canais do Ministério da Saúde é o ponto de partida para quem vive ou atua em áreas de risco.

© 2026 Le Monde Secretariado · lemondesecretariado.com.br · Publicado por Rafael Luchetti.

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