Outubro Verde: Campanha de prevenção da Sífilis.

Por que a sífilis voltou a ser um problema de saúde pública no Brasil?

Uma doença antiga, com tratamento simples e acessível, que ainda causa complicações graves, inclusive em recém-nascidos.

Poucas doenças combinam tantos elementos alarmantes: tem tratamento, está disponível pelo SUS, é de baixo custo, pode ser detectada com exame simples, e mesmo assim segue crescendo. A sífilis é um exemplo claro de que informação e acesso ao cuidado não caminham automaticamente juntos.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil notificou mais de 188 mil casos de sífilis adquirida em 2022, reflexo de uma tendência que preocupa os serviços de saúde desde meados da década anterior. A doença é causada pela bactéria Treponema pallidum e se transmite principalmente por contato sexual sem proteção. Também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, causando a sífilis congênita, forma grave que pode levar à morte fetal, ao nascimento prematuro e a sequelas neurológicas e ósseas na criança. A sífilis congênita é, na essência, uma falha do pré-natal: ela é inteiramente prevenível quando a gestante é diagnosticada e tratada a tempo.

A sífilis evolui por fases distintas. Na fase primária, surge uma ferida indolor, o cancro duro, que pode aparecer em qualquer região genital, anal ou oral e desaparece espontaneamente. Esse desaparecimento não significa cura: a doença avança para a fase secundária, com manchas na pele, febre baixa e mal-estar, e pode atingir a fase terciária anos depois, comprometendo coração, sistema nervoso e outros órgãos.

O diagnóstico é feito por exame de sangue: o VDRL e o FTA-Abs são os mais utilizados. Os testes rápidos, disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde, fornecem resultado em minutos, sem necessidade de jejum ou coleta em laboratório. O tratamento é feito com penicilina benzatina, antibiótico seguro e gratuito na rede pública. Para gestantes, o pré-natal é o momento mais importante de detecção: o Ministério da Saúde recomenda testagem em pelo menos três momentos da gravidez.

Conhecer os sintomas, realizar o teste regularmente e não interromper o tratamento são os pilares do controle da doença. Conversar com o médico ou a equipe da UBS mais próxima é o caminho mais direto e mais simples.

© 2026 Le Monde Secretariado · lemondesecretariado.com.br · Publicado por Rafael Luchetti.

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