As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, e grande parte dos casos poderia ser prevenida com informação e acompanhamento.
O coração raramente avisa antes de falhar. Essa é uma das características mais críticas das doenças cardiovasculares: em muitos casos, o primeiro sintoma é também o mais grave, seja um infarto, um AVC ou uma parada cardíaca. Por isso, setembro vermelho não é apenas uma campanha de conscientização. É um convite a cuidar do coração antes que ele precise pedir socorro.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças do coração e dos vasos sanguíneos são responsáveis por cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil, a maior causa isolada de óbito no país. A Organização Mundial da Saúde estima que, globalmente, essas doenças causam 17,9 milhões de mortes ao ano. Em ambos os contextos, a hipertensão arterial aparece como um dos principais fatores de risco, e estima-se que um em cada três adultos brasileiros seja hipertenso, muitos sem qualquer diagnóstico.
A hipertensão é silenciosa por natureza. Não dói, não causa sintomas perceptíveis no início e, por isso, frequentemente passa despercebida por anos, enquanto exerce pressão contínua sobre artérias, coração, rins e cérebro. O diagnóstico precoce depende de uma atitude simples: medir a pressão com regularidade. O Ministério da Saúde recomenda que adultos saudáveis façam essa verificação ao menos uma vez ao ano e, pessoas com fatores de risco, com mais frequência. Aparelhos de medição estão disponíveis gratuitamente em farmácias e unidades básicas de saúde em todo o país.
Além da pressão arterial, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar integram as variáveis que compõem o risco cardiovascular individual. A boa notícia é que a maioria desses fatores responde a mudanças de estilo de vida: alimentação equilibrada, atividade física regular e manejo do estresse, associadas, quando necessário, ao tratamento medicamentoso. Estudos indicam que uma redução de apenas cinco a dez milímetros de mercúrio na pressão sistólica já é capaz de reduzir significativamente o risco de infarto e AVC.
O cardiologista é o especialista de referência para avaliação completa do risco cardiovascular, mas o médico de família e o clínico geral também fazem parte dessa rede. O SUS oferece rastreamento e acompanhamento de hipertensão e diabetes na atenção básica em todo o território nacional.
Setembro vermelho lembra que prevenir é possível. O próximo passo pode ser simples: marcar uma consulta, medir a pressão na farmácia ou conversar com um médico sobre os próprios fatores de risco.
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