Outubro Marrom: Prevenção da Retinopatia Diabética e Saúde Ocular.

A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira evitável em adultos em idade ativa no mundo. O diagnóstico precoce muda o prognóstico.

A maioria das pessoas que perdem a visão por retinopatia diabética não percebe que algo está errado até que o dano já seja significativo. A doença avança de forma silenciosa, e é exatamente essa ausência de sintomas nas fases iniciais que torna o rastreamento regular indispensável para quem vive com diabetes.

A retinopatia diabética ocorre quando os altos níveis de glicose no sangue danificam os vasos sanguíneos da retina (a camada de tecido sensível à luz localizada na parte posterior do olho). Com o tempo, esses vasos podem vazar, inchar ou crescer de forma anormal, comprometendo progressivamente a visão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira evitável em adultos em idade ativa no mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 30% a 40% das pessoas com diabetes desenvolvam algum grau da doença ao longo da vida. Globalmente, a International Diabetes Federation projeta que esse número continue crescendo junto com a epidemia de diabetes, tornando o rastreamento sistemático uma prioridade de saúde pública.

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) recomenda que pessoas com diagnóstico de diabetes tipo 2 realizem o exame de fundo de olho assim que o diagnóstico for confirmado, e que pessoas com diabetes tipo 1 façam o primeiro exame em até cinco anos após o diagnóstico. A partir daí, o acompanhamento anual é o padrão indicado, salvo quando alterações forem detectadas, o que pode exigir monitoramento mais frequente.

O tratamento, quando necessário, pode incluir aplicação de laser, injeções intravitreanas ou cirurgia, dependendo do estágio da doença. Mas o controle glicêmico rigoroso, a manutenção da pressão arterial em níveis adequados e a ausência de tabagismo seguem sendo os fatores mais eficazes para prevenir ou retardar o avanço da retinopatia. O outubro marrom existe para reforçar essa conexão entre controle metabólico e saúde ocular, conexão que nem sempre é percebida no cotidiano do paciente.

O endocrinologista, o clínico geral e o oftalmologista formam a rede de cuidado mais indicada para quem vive com diabetes. O SUS oferece consultas e exames oftalmológicos na atenção especializada, com encaminhamento pela atenção básica.

Se você ou alguém próximo tem diabetes e ainda não realizou o exame de fundo de olho, conversar com o médico de referência é o próximo passo natural e pode fazer toda a diferença.

© 2026 Le Monde Secretariado · lemondesecretariado.com.br · Publicado por Rafael Luchetti.

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